Castro Lima

Crônicas, contos e causos

Textos

O dia da caça
Jackson era manco, mas ninguém o alcançava quando o assunto corrida, e para pegar animal xucro quando este disparava no galope, tinha pra ninguém não, Jackson era imbatível. Falavam que ele tinha algum segredo, e precisavam descobrir. Armaram então uma aposta, uma corrida, tentaram que essa fosse de longa distância no que Jackson descartou, então concordaram em que fosse 100 metros raso, aposta aceita, marcaram o local, o dia e a hora. Chegado o momento, uma multidão se aglomerava, empurra daqui, cutuca dali, todos queriam o melhor lugar para poder apreciar a tão falada corrida do manco. O adversário de Jackson fora escolhido a dedo, era um mulato magrelo que tinha ganhado umas corridas na escola e sempre se dava bem em competições desse esporte, diziam que treinava para ser militar. Quiseram que os dois usassem short, mas Jackson recusou-se a se mostrar tanto, afinal parecia ter complexo de sua situação de manquitola. Os dois apostos, foi dada a largada, o povo em volta, agitavam com gritos e palmas, era uma algazarra que só. Em dado momento todos ficaram calados e concentrados, Jackson emparelhado com o mulato, de repente, fechou os olhos, corria agora de olhos fechados e começava a passar à dianteira, inexplicável e esquisito, ver aquele rapaz, manco, de olhos fechados à frente de um atleta, fazendo esse “comer” poeira, literalmente. Bem, ao final, não deu outra, mais uma vez Jackson foi o vencedor, mas a turma caiu em cima, não para parabenizá-lo, mas para saber por que ele fechara os olhos, como podia correr de olhos fechados, qual era o segredo?  Ele, então, pediu que lhe pagassem a aposta, recebi a bolada do prêmio, sentou e contou que nem sempre tinha sido manco, uma noite de montaria estava em cima do boi mais aperreado da arena, tinha dito que iria botar aquele bicho no chão e ganhar o prêmio, mas, nos sete segundos o animal caiu, mas por cima de Jackson, como se fosse planejado, com o peso, o peão ficou zonzo, e só voltou a si, dois dias depois, o boi, tinha lhe pisoteado todo, nem os palhaços conseguiram tirá-lo de cima de Jackson, e o prêmio foi uma perna estraçalhada, por isso de ser manco. E toda vez que tinha que correr, ele fechava os olhos e imaginava que o boi brabo vinha atrás para pegá-lo, motivo que sempre o fazia correr tanto. A risada foi geral, só Jackson que ficou sério e cabisbaixo.
Castro Lima
Enviado por Castro Lima em 16/10/2009


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