Castro Lima

Crônicas, contos e causos

Textos

Supertição
Sexta feira, 13, Margarethy estava apreensiva, não que fosse supersticiosa, mas é que todo mundo falava, então ela não ia correr o risco, tinha que sair cedo, 6h da manhã, para chegar ao trabalho, nesse trajeto, que era longo, tanta coisa podia acontecer. Hum... estava ficando preocupada, seria isso? Estava com receio? Aquele dia da semana tinha alguma coisa a ver com azar. O que é o azar? As pessoas de maneira geral são assim. Vivem de “ouvir dizer”, como diz lá no nordeste: “emprenham pelo ouvido”. Pegam os pacotinhos prontos e aceitam como verdade absoluta. Superficiais que são, não dedicam tempo em aprofundar em assunto ou fato nenhum, ou quase nenhum, pois quando se trata de fofoca, aí é outra conversa. Aprofundar é pouco. A vida dos outros é um prato cheio para estudos e teses. Já viu como se resolve fácil o problema dos outros e os próprios vai se “empurrando com a barriga”. Margarethy estava apavorada. Não tinha conseguido dormir direito e agora já eram 5h, sentou-se à cama e pensou ser melhor não sair de casa. Explicaria de outra forma para a patroa e talvez fizesse até serão, de graça, só para não ter que sair naquele dia. Sentada lembrou-se da vez que a sua mãe tinha passado debaixo de uma escada e escorregou ficando com a mão destroncada por vários dias (mas não mencionou que a mãe passou olhando para cima e embaixo da escada tinha uma poça de água com sabão), É comum dos seres humanos verem o que querem ver. Já percebeu que quando queremos algo, só percebemos as virtudes daquilo que desejamos. Mas quando não temos mais interesse, só conseguimos enxergar os defeitos. Margarethy estava sentindo e pensando somente no medo, pois lhe era conveniente, fundamentar esse seu medo. Decidida, nem café tomou. Ficando deitada esperando que o dia terminasse. Como não estava acostumada a ficar na cama, tanto tempo, não conseguiu dormir e mesmo receosa, foi fazer algo para comer, já era quase meio dia agora, fez café e comeu com torradas que fez dos pães adormecidos disponíveis naquele momento, já que não iria à padaria de jeito nenhum. E assim, entre o quarto e a cozinha, sem ao menos ver a televisão, ela sobreviveu àquela sexta-feira. 13, sem nenhum arranhão, só que (...) não teve sucesso no trabalho, pois a sua falta ocasionou a demissão que ela tanto temia. E o desemprego que ela também tanto temia, lhe sobreveio. O “azar” está diretamente ligado a algum despreparo.
Castro Lima
Enviado por Castro Lima em 16/10/2009


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