Castro Lima

Crônicas, contos e causos

Textos

Aquele domingo
Sabe aquele dia que não dá vontade de fazer nada, então eu estava nesse, fui até ao mercado, comprei pão, leite e voltei, estava de carro, mas esqueci, só lembrei quando já estava a duas quadras à frente, ri de mim mesmo. Chegando a casa, até abrir o portão foi uma demora que só, a chave caiu o controle não funcionou, estava tudo muito complicado, mal sabia eu que o dia estava por começar. Lá dentro coloquei o leite para ferver e pensei: não posso deixar derramar, vou ficar de olho. Peguei a manteiga na geladeira, a faca na gaveta e fui abrir os pães, quando me virei para o fogão, metade do suco de vaca já estava pelo fogão, até o fogo já tinha apagado. Como é rápido esse tal de leite para ferver. Aproveitei o que sobrou do leite, não antes de ter limpado o fogão, para não grudar. Sentei-me, o café quentinho o leite também o pão com manteiga. Bem agora estava tudo ótimo podia agora assistir à televisão, ver a corrida de fórmula 1, na hora que me sentei na poltrona, a energia acabou, a CERON estava trocando um poste bem perto de casa e ia demorar umas três horas para terminar. Resolvi então dar um banho no meu cachorro, afinal seria legal deixar o meu amigão bem caprichado, ele merecia isso. Mangueira, água à vontade, sabão, shampoo, tudo pronto, cadê o cachorro, pelo amor de Deus... Cadê esse animal? Tinha escapado e nem sinal do bicho. Que é isso, pensei: vou fazer o que então, o domingo estava bonito, nem tão quente, nem chuvoso, vou fazer uma caminhada, coloquei short e tênis, a camiseta da hora, coloquei meus óculos escuros, passei na banca peguei uma revista e lá estou eu, caminhando há quase meia hora quando toca o celular, era o meu vizinho avisando que o meu cachorro estava latindo muito do lado de fora do portão, e, além de incomodar, ainda podia ser atropelado por um carro, minha rua era muito movimentada, saí no maior pique de volta, como essas calçadas são muito irregulares resolvi ir pelo canto do asfalto, foi pior, tinha muito buracos, que mesmo tampados por betume, ainda assim ficaram morrinhos e num desses torci o pé, tive que ir mancando até chegar em casa. Lá estava o infeliz do cachorro de língua pra fora, ele e eu. Suado abri o portão, entramos. Cachorro vivo, de volta e calado, eu cansado, quase morto, sem fôlego e machucado. A energia ainda não tinha voltado, fiquei então quieto, sentado ao chão. Recuperado, levantei-me, fui tomar um banho, água fria é claro, até gostava. Tranqüilo, agora, resolvi ler um livro que há muito começara. Nem me lembrava mais direito como era a história. Mas onde estava o tal? Ah sim tinha deixado por último lá perto da mesa na área, isso mesmo. Fui pegar, encontrei-o, todo detonado, rasgado, babado, impossível de ler. O cachorro, o mesmo cachorro tinha feito aquela presepada. Desisti, vesti novamente o pijama, entrei no quarto e fui dormir. Talvez em sonho aquele domingo pudesse ser melhor.
Castro Lima
Enviado por Castro Lima em 16/10/2009


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